Luís Antônio Goulart, 56 anos, natural de Lages-SC. Radialista, jornalista, repórter esportivo, pintor, musico. Dono de um bom texto, crítico, bem humorado e muito prestigiado nas redes sociais.

È com ele o nosso “Dois Dedos de Prosa” no CAESPORTES.

CA ESPORTES: Como você iniciou no rádio?

TONINHO GOULART: Antes de eu ir para o exército, em 1983, eu já tinha uma ligação com alguns locutores da rádio Difusora, pois, eu morava no Coral e ficava pertinho da emissora. Porém, só após largar a farda é que efetivamente iniciei em rádio, como operador de som, na mesma rádio Difusora AM, a partir de 1985.

CA ESPORTES:- Como migrou para área profissional esportiva? TONINHO GOULART: Sobre o jornalismo esportivo, o “empurrão” no bom sentido da palavra, foi dado pelo próprio Celso Aurélio, afinal, foi ainda como operador de som que fiz minha primeira transmissão esportiva como repórter, num jogo de vôlei entre Brasil e Itália, no ginásio Ivo Silveira, num amistoso preparatório para as olimpíadas de Seul, em 1988. Estávamos pela Difusora eu, o Carlinhos Schmitz, o Celso e o Carlos Fontana, hoje empresário.

CA ESPORTES: Além do radio, você trabalhou em outras áreas da comunicação?

TONINHO GOULART: Sim! Qualquer radialista, especialmente os que migraram para a área jornalística, têm noção que, é necessário saber, no mínimo, as coisas básicas de cada segmento. E eu sempre procurei aprender com os colegas mais experientes. Assim, conciliando o rádio, atuei por uns dez anos como repórter e apresentador de TV, como por exemplo, no SBT-SCC, RBS, TV Câmara, JFK Filmagens e repórter de jornal. Entre eles, Correio Lageano, O Momento, Panorama Sul (Campos Novos), o Escrivão (Facvest), Curucaca, São Joaquim Online e Mural Online (estes três últimos, em São Joaquim).

CA ESPORTES: Fale sobre sua experiência na área da educação: TONINHO GOULART: Quando decidi, por vontade e ideologia próprias sair da imprensa convencional, propriamente dita, após um ano, iniciei na área da educação, em 2012. Fui professor por cinco anos de Rádio Escolar, um excelente projeto do Governo Federal, que infelizmente, a atual administração não deu continuidade. Sobre essa quebra de sequência do projeto, há um milhão de explicações e desculpas, coisa que dispenso comentar. Depois que parou esse programa, passei a dar aulas de Língua Portuguesa, seguindo até início de 2020, onde também resolvi parar por enxergar outras alternativas.

CA ESPORTES: Nas redes sociais você é bem relacionado e se destaca pelo bom humor nas postagens e textos críticos e reflexivos. Fale sobre esse lado do Toninho Goulart:

TONINHNO GOULART: Eu atribuo isso e não só a mim, mas a todos, a leitura! Sem leitura o sujeito ficará condenado dentro da sociedade a usar um cabresto até o pé na cova. Ler, não significa abrir páginas de jornal e se contentar com o que viu; não significa abrir blogs e sites e querer reprisar aquilo que nem mesmo o próprio sujeito sabe. Isso é muito pouco para quem ainda está no meio jornalístico. Ler não significa necessariamente seguir apenas uma linha, uma ideologia. É preciso ler de tudo, ler várias correntes filosóficas, autores, pesquisar várias fontes sobre um mesmo tema. Só assim a gente pode ter uma opinião, uma análise ou ainda, vários pontos de vista. Para quem pratica a leitura, as palavras caem do ar como uma caneta em nossas mãos!

CA ESPORTES: O que representou para você a Radio Difusora? TONINHO GOULART: A querida e saudosa “velha Difa”, carinhosamente chamada por quem passou por lá, significa pra mim, o início de tudo. Foi lá onde aprendi desde como preservar um disco de vinil até grandes reportagens, mesmo locais. Foi lá ainda que, sentia que se uma emissora tiver um bom time, a concorrência tem de ‘rebolar’ muito numa competição saudável. A Difusora foi uma escola magnífica no rádio de Lages. Eu tive o privilégio de trabalhar na Difusora com locutores excepcionalmente bons demais, como por exemplo, o J. Amarante, Cláudio Oliveira, Wilson Roberto, Agenor Rodrigues, Carlos Roberto Schmitz, Betinho Theiss, Sidnei Almeida, Bosco Vieira, Camargo Filho, Ademir Vieira (Dida) além dos excelentes tradicionalistas como Célio Garcia Jânio Antunes, entre outros! Os programadores eram de primeira linha, bom gosto musical, de qualidade. Tínhamos lá o Robson Melegari, o próprio Cláudio Oliveira, enfim…

CA ESPORTES: Pretende voltar algum dia trabalhar na área de comunicação:

TONINHO GOULART: Não se deve dizer “dessa água não bebo mais”! Pode ser que um dia eu volte. Porém, como decidi sair por ter uma linha própria de ideias, pensamentos, ideologias, não me vejo mais fazendo, por vezes, algumas coisas que sei que poderiam ser diferentes. Não me vejo mais fazendo aquilo que só serve para agradar uma meia dúzia de interesses. Pra ser sincero: quem tem “boca” pra falar e ver as coisas por outro ângulo, outra ótica além daquela do patrão, dificilmente terá espaço. A isso, eu me refiro no campo do jornalismo!

CA ESPORTES: O que é ser gremista?

TONINHO GOULART: Eu sabia desde o início da entrevista que essa pergunta viria de um colorado kkkk kkkk. Sou gremista desde 1903😂😂😂. Acho que me identifico com o Grêmio, time guerreiro, lutador, às vezes bem, às vezes mal, enfim, com o Grêmio onde estiver! 

CA ESPOPRTES: Fale de sua parte de musico e cooperador religioso:

TONINHO GOULARTE: Eu sempre gosto de reafirmar que não sou músico, nunca fui. O que aconteceu foi que, desde guri, aprendi sozinho a tocar violão, não sei nomes de escalas, notas, teorias, enfim… Iniciei tocando num grupo de jovens ((JUNAC), no bairro Caravagio. Mesmo sem aulas e sem estudo, aprendi também cavaquinho, viola, gaita de boca, um pouquinho de acordeon, ukulele e uns batuques. Sobre minhas idas à Igreja, é uma forma de eu agradecer pelo dom e à Deus, especialmente, pela vida!

CA ESPORTES: Sua visão sobra nossa imprensa:

TONINHO GOULART: Em primeiro lugar eu ressalto que, não se pode misturar o que você foi, fez ou deixou de fazer. O tempo passa e a vida muda! Talvez eu sirva de exemplo ou não sirva pra nada em relação à “minha imprensa, o meu modo”. Porém, os colegas das “antigas” sabem que, no nosso tempo era infinitamente mais difícil entrar no rádio, por vários motivos. Não existia essa padrinhagem que, infelizmente, ainda existe. Outro detalhe importante era que os gerentes da época, em todas as rádios que trabalhei, prestavam muita atenção se o sujeito tinha de “cara” o dom do rádio, se era versátil, se gostava mesmo daquilo. Em locução, por exemplo, teria de ter uma voz acentuada (não forçada), agradável, enfim.. Eu só posso me referir ao jornalismo, por isso, sem medo nenhum, digo que, se naquela época era difícil “fazer” rádio, por outro lado, o próprio rádio era melhor. Ao passo que, se hoje está também infinitamente mais fácil entrar e ‘fazer” rádio, não vejo nada de melhor comparável àquele profissionalismo que fazíamos. Tinha de ser artista mesmo Não é uma generalização, mas não se admite em radiojornalismo sujeitos que não conseguem ao mínimo por 10 segundos improvisar um comentário, seja qual for o tema! Não se admite mais semianalfabeto em radiojornalismo! É o duelo com o velho hábito da leitura.

CA ESPORTES: Agradecemos sua atenção à nossa reportagem e deixamos o espaço para sua mensagem final:

TONINHO GOULARTE: Eu me sinto honrado, privilegiado e satisfeito em ter essa oportunidade de falar um pouquinho sobre esse tema tão lindo, especialmente a você, Celso Aurélio, que além de trabalharmos juntos, lá no início, foi quem acreditou em mim e me deu a primeira oportunidade de iniciar no rádio como repórter. Só pra lembrar: minha primeira transmissão foi um 7 de Setembro, na Duque de Caxias. Se esqueci algum nome de colegas da velha Difa, peço desculpas, saúde a todos! Obrigado e um forte abraço a todos os radialistas!, …

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